Em dia dos erros, Brasil vê ginastas chorarem e saírem sem medalhas
Domingo, 17 de Agosto de 2008
Do UOL Esporte
Em São Paulo
"Errar é humano", "a prova é decidida em um detalhe", "uma falha pode custar quatro anos de trabalho". Estas frases se tornaram um verdadeiro mantra no esporte de alto nível e são faladas constantemente pelos atletas antes de grandes competições como Mundiais ou Olimpíadas. E neste domingo elas viraram a grande marca do nono dia dos Jogos de Pequim. Em frações de segundo, favoritos se transformaram em decepções e verteram lágrimas pelas sedes do evento.
Os ginastas brasileiros Diego Hypólito, Jade Barbosa e Daiane dos Santos dificilmente esquecerão o que viveram na China. De forma frustrante, os três grandes nomes da ginástica nacional vacilaram no momento decisivo e a modalidade viu o sonho de subir ao pódio olímpico pela primeira vez se transformar em um pesadelo que durará até 2012, no caso dos dois primeiros, ou então para a vida toda, situação vivida por Daiane, que prometeu encerrar a carreira após as Olimpíadas.
Diego foi o primeiro a tropeçar. Após uma série destacada, ele se desequilibrou na última das cinco acrobacias que executou, tentou o apoio com a perna esquerda, mas não conseguiu e caiu no solo, apoiando a mão esquerda para se levantar novamente e deixar cabisbaixo o local. "Eu não acredito que eu perdi. Eu não acredito", desabafou o paulista, enquanto aguardava a divulgação da nota 15,200 pontos, que deixou-o em sexto lugar. Frustrante para quem chegou a Pequim como favorito ao ouro, respaldado pelos dois títulos mundiais, mais três etapas da Copa do Mundo e duas finais da Super Copa do Mundo.
Jade pisa fora da marcação no salto após se desequilibrar |
E a repetição de um cenário visto há quatro anos em Atenas, quando Daiane dos Santos chegou com o mesmo status, passou por uma operação no joelho no semestre anterior aos Jogos (como também aconteceu com Diego em 2008) e também falhou na decisão. A gaúcha, aliás, voltaria a rever o mesmo filme duas horas mais tarde, quando se apresentou no solo. Na terceira das quatro acrobacias da série, ela pisou com o pé esquerdo fora do tablado e viu escapar a chance do pódio. A cena se repetiria instantes depois com o pé esquerdo fora das quatro linhas que demarcam o local. O resultado foi a nota 14,975 e o sexto lugar. Entre os dois especialistas do solo, a carioca Jade Barbosa também foi vítima dos erros na final do salto, caindo ajoelhada nas duas tentativas que fez. Assim, a atleta foi sétima.
Mas o dia não foi só de falhas dos brasileiros. Melhor das eliminatórias do solo e do salto, Fei Cheng não resistiu à responsabilidade de atuar bem diante de sua torcida e caiu nos dois exercícios. A chinesa abriu o domingo com 16,075 (o melhor dos 15 saltos da final), mas em seguida a campeã mundial do exercício e melhor das eliminatórias falhou na segunda tentativa, sofreu uma queda e teve de se contentar com o bronze. No solo, a decepção foi ainda maior, pois, além de sofrer outra queda, a atleta terminou fora do pódio na sétima colocação. Terminou chorando abraçada ao técnico. O romeno Marian Dragulescu, segundo nas eliminatórias no solo, também errou, assim como o israelense Alexandr Shitolov (no solo) e o norte-americano Alexander Artemev (no cavalo com alças).
Já no tiro, a vítima foi o norte-americano Matthew Emmons. Ele liderava a final da carabina três posições e só precisava tirar 6,7 no último disparo para ser campeão. E a decisão não tivera uma nota abaixo de 7,7 nos 79 tiros dados na final. Ele se preparou, mirou e conseguiu 4,4. O atirador perdeu não só o ouro, como qualquer medalha e terminou em quarto. Há quatro anos, Emmons viveu outra situação inusitada. Ele só necessitava de 7,1 no último disparo e foi perfeito, mas no alvo do rival. Assim, o norte-americano tomou 0 e ficou em oitavo.
As falhas só não tiveram vez com o maior nome da natação. Com mais uma atuação beirando à perfeição, Michael Phelps ajudou os EUA a vencer o revezamento 4 x 100 m medley e tornou-se o maior nome da história olímpica com os oito ouros obtidos na China. Ele derrubou a marca do compatriota Mark Spitz, que levou sete em Munique-1972. Antes, o nadador nascido em Baltimore já havia se tornado o detentor do maior número de recordes mundiais e também de triunfos olímpicos na história. O único recorde que falta é o de maior número de insígnias nos Jogos. Esta marca ainda pertence à ginasta Larysa Latynina, que obteve 18 medalhas, duas a mais que o nadador norte-americano.
Além do feito de Phelps, o dia ainda teve a primeira vitória de uma romena na maratona com Constantina Tomescu, um pódio 100% russo no tênis feminino e outro 100% jamaicano nos 100 m rasos feminino. Já para o Brasil, fora a tristeza da ginástica, o país viu a recuperação de Ricardo Winicki, o Bimba, e da dupla Robert Scheidt e Bruno Prada na vela, a queda de Ana Paula e Larissa e a vitória de Renata e Talita no vôlei de praia, e o fácil triunfo do vôlei feminino sobre a Itália, que consolidou o time na liderança de seu grupo.
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